Conheça Fernanda Sonoda, a criadora inovadora da Santa Miçanga

Recentemente, tivemos a oportunidade de conversar com Fernanda Sonoda, que ocupa os cargos de CEO e designer de acessórios na Santa Miçanga. Com uma estética vibrante e cheia de personalidade, Fernanda nos leva a explorar o fascinante mundo do maximalismo intencional.

Em um setor frequentemente dominado por modismos passageiras e pela uniformidade visual, Fernanda se destaca ao defender a importância da autenticidade e o sincretismo cultural que é característico do design brasileiro. Suas criações, que combinam texturas como resinas, acrílicos e elementos naturais, mostram que os acessórios não são meros coadjuvantes, mas sim protagonistas em qualquer composição.

Para ela, o ato de se vestir constitui uma poderosa forma de comunicação não verbal e expressão pessoal. Durante essa conversa inspiradora e repleta de significado, a designer compartilha detalhes sobre os bastidores da marca, sua rotina criativa incansável e a relevância das peças que ultrapassam tendências. Prepare-se para redescobrir o poder do seu estilo pessoal.

Fashion à Porter: Fê, seu acervo apresenta uma diversidade impressionante de pingentes com temas variados como bananas, tucanos, lagostas e escaravelhos. Como você decide quais elementos fazem parte do universo da marca e qual é o segredo para harmonizar peças tão distintas dentro da estética da Santa Miçanga?

Fernanda Sonoda (F.S.): Tudo que me encanta e chama minha atenção pode ser incorporado ao acervo da Santa. Na verdade, quanto mais variedade melhor! A escolha dos elementos é guiada pelo meu gosto pessoal e pelo que considero esteticamente relevante. No maximalismo, mais é sempre melhor; sempre enxerguei assim desde a infância. Nunca fui fã do minimalismo ou de coisas discretas. Se um acessório vai ser usado, ele deve brilhar e ser o centro das atenções. Para mim, o acessório define o rumo que o look irá tomar. E se pensarmos bem, uma única roupa pode transmitir diversas mensagens, dependendo dos acessórios escolhidos. O diálogo entre as peças tem muito a ver com a história pessoal de cada um, seus gostos íntimos. Para mim, Fernanda, onde está escrito que uma lagosta não pode combinar com uma costela-de-adão, um limão ou um olho grego? Sou brasileira! Estou cercada por todos esses elementos desde sempre! (risos)

Fashion à Porter: Observei que você utiliza de maneira inteligente resinas, metais banhados, miçangas e elementos naturais. Qual é a importância dessa mistura de texturas na criação de um acessório verdadeiramente maximalista? Existe algum material que você considera seu ‘xodó’ ou que represente a essência da marca?

(F.S.): A combinação de diferentes texturas é fundamental; eu gosto de chamar isso de “interessância” da peça. Ao misturar materiais com texturas distintas e pesos visuais variados, você enriquece a peça com informação e significado. Além disso, isso demonstra claramente a intenção por trás daquela construção — tanto em uma peça quanto em um look completo. Montagens feitas com roupas que possuem diferentes texturas ou até mesmo opostas são muito mais ricas esteticamente do que simplesmente empilhar itens semelhantes. No maximalismo, cada detalhe é pensado cuidadosamente e intencionalmente! É uma linguagem não verbal incrível! Sobre meu material favorito: comecei há 25 anos com acrílicos e continuo apaixonada pela beleza das contas acrílicas que oferecem brilho, transparência e cor únicas; quando combinadas entre si geram efeitos visuais magníficos! Mas devo confessar que nossa verdadeira alma reside na mistura dos materiais.

Fashion à Porter: Suas criações com tucanos, bananas e folhagens de costela-de-adão trazem um frescor tipicamente brasileiro mas carregam um toque surrealista. Você acredita que o maximalismo representa a forma mais genuína de expressar moda no Brasil atualmente?

(F.S.): O Brasil irradia maximalismo em sua essência, mesmo diante das correntes opostas que tentam impor o minimalismo ou a estética “clean people” como padrões absolutos. Essa estética na verdade não nos pertence; ela é uma cópia das tradições europeias — nada contra quem decide adotar esse estilo pessoalmente. Contudo, todos estão se vestindo da mesma maneira atualmente; isso não só é desinteressante como também revela uma falta crescente de autenticidade. Não tem como afirmar que isso representa o Brasil! Existe país mais rico em termos estéticos? Um povo mais diverso do que nós? Não podemos falar sobre padrões corporais ou minimalismo quando consideramos um país tão plural quanto o nosso — cheio de tons de pele variados, diferentes tipos físicos, cabelos diversos e tanta riqueza na flora, fauna, vocabulário e cultura! É isso que busco refletir nas minhas criações.

Fashion à Porter: Nas imagens vemos braços adornados com braceletes e pulseiras (o famoso Arm Party). Para aqueles que desejam adotar esse estilo ‘empilhado’ sem parecer excessivos ou fantasiosos, existe alguma regra essencial para equilibrar cores e volumes nos pulsos?

(F.S.): Como eu gosto sempre de dizer: quanto mais cheio o braço melhor! (risos) Quando conseguimos imprimir nossa personalidade nessa composição fica ainda mais interessante. As possibilidades são infinitas! O único cuidado deve ser evitar usar algo apenas por obrigação ou porque está na moda — isso sim pode resultar em algo caricatural já que não estamos falando sobre figurinos fictícios. Estamos lidando com vida real; os acessórios devem refletir nossos gostos pessoais! Portanto, quanto maior for a diversidade em texturas, formatos e materiais diferentes nos pulsos melhores serão os resultados!

Fashion à Porter: Olhos gregos, búzios e patuás aparecem frequentemente nas suas obras. Você vê os acessórios da Santa Miçanga também como amuletos pessoais para proteção energética aos usuários?

(F.S.): Sem dúvida! Afinal de contas, a fé reside dentro de nós mesmos. Nós escolhemos nossos escudos pessoais — proteção ou amuletos — refletindo muito do espírito brasileiro: somos um povo repleto de fé e sincretismo cultural; isso inspira criações que se transformam em amuletos pessoais muito além da estética visual.

Fashion à Porter: Diante tantas opções criativas disponíveis em sua obra sem fim aparente como você organiza seu processo para lançar novelties? O que podemos esperar da Santa Miçanga nas próximas coleções em relação a formas e cores?

(F.S.): Costumo dizer que acordo criando peças; às vezes sonho até mesmo com composições nunca antes imaginadas. Isso acontece realmente: já acordei no meio da noite pensando “É isso!”. Eu crio novas ideias praticamente todos os dias — isso me serve como combustível criativo! Quanto mais crio mais ideias surgem; fico inquieta se passo dois ou três dias sem desenvolver algo novo — meu humor muda completamente nesse caso! Portanto sim: novidades surgem regularmente duas a três vezes por semana. Às vezes escolho apresentar tudo junto ou segurar algumas peças para serem lançadas posteriormente quando fizer sentido apresentá-las juntas — mas estou constantemente criando algo novo todos os dias ! Em relação às próximas temporadas nosso foco será: menos tendências passageiras , mais atemporalidade , muita mistura entre as peças , cores vibrantes , volume visual marcante , autenticidade ! E claro: sempre maximalismo!

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By Beleza Transformadora

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